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Período de estiagem não impede que Aedes aegypti se reproduza

Vistoriar imóvel e eliminar água parada são as estratégias para eliminar criadouros antes da chegada das chuvas

Período de estiagem não impede que Aedes aegypti se reproduza

Agentes de combate às endemias encontram criadouro em edifício

Data da publicação: 22/09/2026

Crédito da foto: Eduardo Lobo


Ainda que em período de seca, a proximidade do período chuvoso reacende o alerta da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas (Semus) para o combate ao mosquito Aedes aegypti. Mesmo com a redução no número de casos de dengue observada durante a seca, o mosquito transmissor não desaparece. O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 31 de agosto e 4 de setembro de 2026, apontou Índice de Infestação Predial (IIP) e Índice de Breteau (IB) de 0,2%, considerado baixo. O resultado, conforme a Semus, pode refletir o próprio período de seca, quando há menos água disponível em locais como lixos, entulhos e sucatas.


A bióloga da Unidade de Vigilância e Controle de Zoonoses (UVCZ), Renata Braga, informa que o chamado período interepidêmico é um momento estratégico de vigilância. "Esse período, que precede à estação chuvosa, merece atenção especial porque, mesmo com a redução dos casos de dengue, o Aedes aegypti continua presente no ambiente", explica. A especialista diz que os ovos depositados pelas fêmeas em recipientes podem permanecer viáveis por meses, mesmo sem contato com a água.


Para a bióloga, o principal erro da população é associar o mosquito apenas às chuvas. "O que pega muita gente desprevenida é justamente a ideia de que, sem chuva, não há mosquito. E basta uma pequena quantidade de água acumulada para permitir a continuidade do ciclo do vetor", diz. Entre os criadouros mais comuns, e mais subestimados, estão tampinhas de garrafa, brinquedos deixados no quintal, bebedouros de animais, bandejas de geladeira, ralos pouco usados, calhas obstruídas e dobras de lonas usadas para cobrir materiais.


Interrupção do ciclo

A bióloga explica que, em condições favoráveis, o ciclo completo do mosquito, do ovo ao mosquito adulto, pode levar de sete a dez dias. É por isso que a Semus recomenda vistorias domésticas semanais. "Essa frequência permite identificar e eliminar os criadouros antes que o mosquito complete seu desenvolvimento e chegue à fase adulta", diz. Renata afirma que o momento ideal para o combate é justamente antes que o mosquito alce voo. "É o período em que o mosquito ainda está restrito ao recipiente onde se desenvolve, o que facilita a identificação e a adoção de medidas para impedir que chegue à fase adulta", aponta, chamando a atenção para o fato de o combate depender da colaboração de toda a população, principalmente, no recebimento dos agentes de saúde durante as visitas domiciliares.


Criadouros silenciosos

O hábito de armazenar água em baldes, tambores e caixas d'água mal vedados durante a estiagem favorece a formação de novos criadouros dentro das próprias residências. Dados de vistorias e ovitrampas, armadilhas usadas para monitorar a presença de ovos do mosquito, apontam que os depósitos móveis, como bebedouros de animais, pratos de vasos de plantas e garrafas retornáveis, respondem por 46,7% dos recipientes com presença de larvas, seguidos pelos depósitos fixos, como calhas e ralos, com 33,3%. Com base na estratificação de risco atual, a região sul de Palmas concentra as localidades que exigem maior atenção neste momento.


Perigo

A importância da vistoria constante ficou evidente em uma ação realizada em um edifício da região central de Palmas. Uma equipe formada pelo supervisor Adalberto Soares Mota e pelos agentes de combate às endemias Alessandra Cardoso Araújo, Monnaliza Pereira Fernandes e Charlles Ribeiro encontrou larvas e pupas na rede de drenagem da área de lazer do condomínio. No local, Adalberto orientou a representante do condomínio sobre a necessidade de limpeza imediata, chamando atenção para um detalhe técnico importante: na fase de pupa, o combate químico perde a eficácia. "Quando a larva evolui para pupa, ela não se alimenta mais e não vai comer o larvicida, então ela não morre mais com o larvicida. É necessário fazer a limpeza e eliminar as pupas."


Orientação

O caso reforça a orientação da Semus: eliminar mecanicamente o criadouro, limpando, virando ou descartando o recipiente, é mais eficaz do que depender apenas de larvicidas, especialmente quando o mosquito já está em estágio avançado de desenvolvimento. Moradores que identificarem criadouros em casa devem eliminar o foco, limpar e descartar corretamente o recipiente. Objetos que ainda serão usados devem ser guardados em local coberto para evitar acúmulo de água durante as chuvas. Dúvidas ou solicitações de visita podem ser encaminhadas à Vigilância em Saúde de Palmas pelo telefone (63) 3212-7917.

Texto: Eduardo Lobo

Edição: Juliana Matos