Palpitações, taquicardia, sudorese, falta de ar e sensação de irrealidade. Os sintomas surgem de repente e podem ser facilmente confundidos com um problema cardíaco. Em meio ao desconforto e ao medo, a crise passa, mas deixa uma pergunta: “O que está acontecendo comigo?”. A resposta nem sempre é simples. Embora esses sinais possam estar associados a uma crise de ansiedade ou a um ataque de pânico, sintomas semelhantes também podem ocorrer em outras condições de saúde. Por isso, a investigação adequada é fundamental para identificar a origem do quadro e compreender quando a ansiedade está relacionada a outros fatores ou quando ela própria precisa de atenção e tratamento.
O psicólogo da Secretaria Municipal da Saúde (Semus) Sonielson Luciano de Sousa explica que os sintomas físicos não devem ser avaliados de maneira isolada. Segundo o profissional, uma crise de ansiedade precisa ser compreendida dentro do contexto em que ocorre, considerando fatores biológicos, psicológicos, sociais e circunstanciais que podem estar relacionados ao episódio.
“É importante que a pessoa busque ajuda e não faça um autodiagnóstico. A ansiedade não deve ser compreendida apenas como um problema isolado, mas como uma resposta do organismo que pode estar relacionada a diferentes fatores. Aquilo que aparece no corpo é, muitas vezes, a parte mais visível de uma situação mais ampla que precisa ser compreendida e tratada”, orienta Sonielson.
Quando os sintomas aparecem de forma súbita e intensa, especialmente acompanhados de dor no peito, desmaio, dificuldade importante para respirar ou outros sinais de gravidade, a orientação é procurar atendimento de urgência. Nesses casos, o paciente pode procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192. Após o controle do quadro imediato e a avaliação de possíveis causas clínicas, o acompanhamento deve continuar para investigar os fatores relacionados ao episódio.
Ansiedade e sono podem formar um ciclo
Além das manifestações percebidas durante uma crise, a ansiedade pode interferir em diferentes aspectos da rotina. Um deles é o sono. “A ansiedade também pode manter o organismo em estado de alerta, com hipervigilância e alterações na resposta ao estresse, incluindo, em alguns casos, maior liberação de cortisol. Isso pode dificultar o início do sono, provocar despertares durante a noite ou fazer com que a pessoa acorde cansada. Ao mesmo tempo, dormir mal pode aumentar a irritabilidade, a tensão e os próprios sintomas ansiosos, formando um ciclo que precisa ser interrompido com acompanhamento adequado”, explica o psicólogo.
Sonielson também destaca que compreender o que desencadeou uma crise faz parte do cuidado. Situações familiares, profissionais e sociais, mudanças na rotina e outros aspectos da saúde física e mental podem estar associados ao sofrimento apresentado pela pessoa. A avaliação profissional permite observar esse contexto de forma mais ampla e definir o acompanhamento adequado para cada caso.
Onde buscar atendimento
No Sistema Único de Saúde (SUS), as Unidades de Saúde da Família (USFs) são a porta de entrada preferencial para a avaliação inicial e a organização do cuidado. A pessoa pode procurar sua unidade de referência, onde será acolhida e acompanhada pela equipe e, quando necessário, encaminhada para avaliação multiprofissional ou atendimento especializado.
A Semus mantém na rede municipal serviços voltados ao cuidado em saúde mental, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Informações sobre os serviços disponíveis, formas de acesso e fluxos de atendimento podem ser consultadas no site da Prefeitura Municipal de Palmas.