A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), iniciou neste sábado, 11, uma nova etapa do projeto África em Nós, voltada à formação de profissionais da educação. As primeiras palestras reuniram cerca de 140 servidores em duas unidades escolares da Capital: aproximadamente 80 na Escola de Tempo Integral (ETI) Anísio Teixeira, no setor Bertaville, e outros 60 no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Juscéia Gabelini, no setor Santo Amaro.
A iniciativa amplia o alcance do projeto, que já levou palestras antirracistas a cerca de 1,2 mil estudantes da rede pública de Palmas, passando agora a dialogar diretamente com professores e demais trabalhadores das unidades escolares.
O secretário municipal de Igualdade Racial e Direitos Humanos, José Eduardo de Azevedo, destacou a importância da formação continuada como estratégia para o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar. “Estamos avançando em uma etapa fundamental, que é o diálogo direto com quem está no cotidiano da escola. Fortalecer os profissionais da educação com informação e ferramentas práticas é essencial para garantir um ambiente mais seguro e preparado para lidar com situações de racismo”, afirmou.
Identificação de situações de racismo
As formações são conduzidas pelo educador Aires Panda, que aborda desde a identificação de situações de racismo até formas de acolhimento às vítimas e encaminhamento adequado dos casos. “Nosso objetivo é contribuir para que os profissionais se sintam preparados para agir diante dessas situações, compreendendo sua gravidade e o papel da escola na construção de uma sociedade mais justa”, destacou.
A servidora da Seirdh responsável pela agenda do projeto, Domingas Louzeiros, reforçou que a formação antirracista vai além do conteúdo pedagógico. “Quando a escola se compromete com essa pauta, fortalece a autoestima dos estudantes, combate preconceitos desde cedo. Educar também é transformar realidades”, ressaltou.
De acordo com a diretora da ETI Anísio Teixeira, Ana Carolina Silva, a formação contribui para uma mudança de cultura no ambiente escolar. “Já tivemos uma experiência positiva com os alunos e, agora, com os professores, esse processo se fortalece. Não são ações isoladas, são sementes que ajudam a transformar a escola e a valorizar a identidade dos nossos estudantes”, afirmou, acrescentando que: “a educação antirracista torna os profissionais mais sensíveis e preparados para garantir um ambiente em que o aluno se sinta pertencente”.
A gestora do Cmei Professora Juscéia Gabelini, Priscila Machado, destacou que a formação dialoga com ações pedagógicas que serão desenvolvidas na unidade. “Estamos estruturando um projeto de mediação de leitura com literatura infantil antirracista, com vivências semanais em todas as turmas, trabalhando afeto, pertencimento e valorização da identidade das crianças”, explicou.
Educação antirracista
Durante as formações, os participantes recebem uma cartilha orientadora com diretrizes para o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar. O material destaca que a educação antirracista deve ser uma prática contínua no processo pedagógico, e não uma ação pontual.
Entre os conteúdos abordados estão a necessidade de intervenção imediata diante de casos de racismo, o acolhimento da vítima como prioridade e a responsabilização adequada do agressor, além de orientações para registro e encaminhamento institucional das ocorrências.
A cartilha também reforça que o racismo é crime e deve ser tratado com seriedade no ambiente escolar, não sendo reduzido a conflitos comuns ou ‘brincadeiras’, além de destacar o papel da escola na promoção de uma educação mais justa, democrática e inclusiva.
Como solicitar a formação
As palestras do projeto África em Nós não são restritas às escolas municipais e podem ser solicitadas por qualquer unidade de ensino interessada sediada na Capital. Para participar, basta entrar em contato pelo e-mail seirdh.palmas@gmail.com e formalizar o pedido por meio de ofício.