Especialistas nacionais e
internacionais em hanseníase estão em Palmas para debater sobre os serviços e a
linha de cuidados para o tratamento da hanseníase na rede de atenção primária
de saúde. O encontro que teve início na manhã desta segunda-feira, 14, pretende
unir as experiências dos profissionais reunidos para traçar um o modelo, centrado
no paciente e a gestão da clínica, na busca pela não fragmentação no cuidado
com a doença. A programação segue até a próxima quarta-feira, 16,
Para o presidente da Sociedade
Brasileira de Hansenologia, Marco Andrey Cipriani, a iniciativa de estabelecer
consenso e um protocolo único para ajudar no diagnóstico da doença,
principalmente na rede primária, é um movimento pujante, ousado, e extremamente
viável. “Palmas hoje trabalha no sentido, de fortalecer a atenção primária para
diagnosticar a doença mais cedo possível, evitando assim, que muitas pessoas correm
o risco de desenvolver incapacidades físicas, perfeitamente evitáveis com o
diagnóstico e tratamento nas fases iniciais da doença”, lembra o médico
especialista destacando que a Capital do Tocantins tem um projeto piloto que
pode ser exemplo para este novo movimento.
O secretário de Saúde de Palmas, Nésio
Fernandes, explica que é importante rediscutir todo o itinerário terapêutico
que o paciente de hanseníase percorre para o tratamento. De acordo com o
gestor, atualmente, existe uma fragmentação desde a hora que paciente
entra na rede. “A ideia é construir essa rede de atendimento integral e cuidado
para que o paciente possa ter toda atenção devida, qualificada e oportuna. E
isso precisa estar pactuado. Atualmente, não está bem definido as
responsabilidades para oferecer tratamento terapêutico da doença. Por exemplo,
o que é atribuição do município, o que é do Estado, do médico ou do
fisioterapeuta. Então a ideia é desenhar essa linha de cuidado integral
baseando-se em pesquisas científicas e sistematizados na rede de saúde”,
argumenta o gestor.
A coordenadora Geral de Hanseníase e
Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde (MS), Carmelita Ribeiro Filha, lembra
que o diagnóstico tardio da doença contribui ainda para a manutenção da cadeia
de transmissão, com o surgimento de novos casos, fazendo com que a hanseníase
ainda seja um problema de saúde pública. Entre as intervenções realizadas em
Palmas, a coordenadora destaca o olhar que a rede de saúde da capital está tendo
com o paciente, além da capacitação continuada para profissionais de saúde e a
descentralização das ações de controle.
“O município de Palmas traz um olhar
diferenciado para o tratamento do paciente portador de hanseníase. E isso é
muito louvável. Anos atrás, começou-se um movimento no Ministério da Saúde
com a mesma filosofia adotada agora por Palmas, mas não avançamos. E durante
todo esse tempo nada foi feito neste sentido. Agora, Palmas nos apresenta um
modelo que com certeza poderá ser exemplo para todo o país”, fala a
coordenadora.
Participantes
Participam do encontro que ocorre no Auditório do Orquidário de Palmas,
integrantes da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), da Sociedade
Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, da Consultoria do Método
Delphi, do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase
(Morhan), da Sociedade Brasileira de Hanseníase, da Associação Alemã de
Assistência aos Hansenianos e Tuberculosos (DAHW), do Instituto Lauro de Sousa
Lima, da Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação, da
Universidade Federal do Pará, da Secretaria de Estado de Saúde/Programa
Estadual de Controle da Hanseníase, da Universidade Federal de Uberlândia, do
Ministério da Saúde, além dos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde e
da Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp).
