A Secretaria Municipal da Mulher de Palmas participou, na manhã desta sexta-feira, 24, de uma audiência pública promovida pelo Ministério Público do Tocantins (MPTO), com o objetivo de debater o fortalecimento da rede de proteção à mulher na Capital. Durante a audiência, foram discutidos os principais desafios enfrentados pela rede de atendimento, com destaque para a necessidade de integração entre os serviços e a construção de fluxos mais eficientes para acolher mulheres em situação de violência.
O promotor de Justiça Konrad César Resende Wimmer destacou o papel da audiência pública como instrumento de participação social e construção coletiva de soluções. “A audiência pública tem como propósito aproximar a comunidade das instituições e permitir que a sociedade participe dos processos de tomada de decisão. É um espaço fundamental para ouvir contribuições e fortalecer a atuação dos órgãos públicos”, afirmou.
O promotor também chamou atenção para a complexidade da violência contra a mulher e os desafios da atuação em rede. “A violência não é um fenômeno isolado, mas resultado de um conjunto de circunstâncias. Por isso, o enfrentamento exige um olhar ampliado e integrado. A rede é desafiadora justamente por envolver diferentes áreas, como o direito e a saúde, cada uma com suas especificidades, o que exige diálogo e alinhamento constante”, pontuou.
Articulação institucional
A secretária municipal da Mulher, Chayla Felix, ressaltou a importância do encontro para identificar fragilidades e avançar na articulação institucional. “Este é um momento fundamental para ouvirmos os direcionamentos e, principalmente, identificarmos os gargalos existentes. A atuação em rede exige integração entre todos os órgãos envolvidos, como assistência social, saúde, educação e sistema de justiça, para garantir um atendimento mais eficaz às mulheres”, afirmou.
A gestora também destacou a necessidade de evitar a revitimização durante o atendimento. “Precisamos avançar na construção de estratégias que unifiquem os atendimentos, evitando que a mulher tenha que relatar a violência repetidas vezes. Esse processo pode gerar desgaste emocional e, muitas vezes, leva à desistência da busca por ajuda”, pontuou.
Debate nacional
Chayla Felix acrescentou ainda que o tema vem sendo discutido em âmbito nacional. “Recentemente, participamos de debates no Ministério das Mulheres sobre as novas diretrizes da Casa da Mulher Brasileira, onde a não revitimização foi um dos pontos centrais. É essencial pensarmos em mecanismos que tornem esse atendimento mais humanizado e eficiente”, completou.
A superintendente da Casa da Mulher Brasileira de Palmas, Monik Dorta, reforçou o papel do equipamento como referência no acolhimento às mulheres em situação de violência. “A Casa da Mulher Brasileira reúne, em um único espaço, diversos serviços essenciais, o que contribui para reduzir a revitimização e garantir um atendimento mais completo”, explicou.
A audiência pública reforçou a importância da atuação integrada entre os órgãos e da escuta ativa dos diferentes atores envolvidos, incluindo representantes do poder público e da sociedade civil, na construção de políticas públicas mais eficazes para o enfrentamento à violência contra a mulher em Palmas e no Estado.
